O casamento e suas expectativas

Os relacionamentos afetivos e suas expectativas conjugais são um tema de constante presença nas interações das vivências humanas, sendo a cultura um importante sinalizador dessa constante no imaginário social. Talvez, sejam poucas as produções na cultura ocidental que não produzem com frequência algo que fale desse tipo de relação, onde quase sempre envolve questões afetivas manifestadas na música, na literatura, nas artes cênicas, nos costumes e em outras tantas manifestações dessa extensa lista de produções relacionadas ao tema.

 

Há muito tenta-se entender o que leva duas pessoas a se apaixonarem e desejarem construir uma vida em comum.  Na paixão, fenômenos biológicos acontecem nos corpos: olhos que brilham, pupilas dilatadas, taquicardia e uma série de outros efeitos físicos e psicológicos acontecem no corpo e no indivíduo. Entretanto, tudo isso não é necessariamente suficiente para manter pessoas unidas ao longo de uma vida. Muitos fatores estão envolvidos na constituição das expectativas de um relacionamento a dois, indo além do que é desenhado no ideário do romantismo da cultura ocidental. A vida a dois pode acontecer por diversos fatores, interesses e expectativas, que muitas vezes extrapolam, e até contrariam, a ideia de paixão, tais como, acordos financeiros, conveniência, busca por estabilidade de vida, dentre outros que escapam o viés dos ditos apaixonados.

 

Além disso, em cada cônjuge, estão contidas expectativas que sofrem interferências de suas histórias de vida, seus desejos, emoções, preferências, educação familiar, crenças e valores culturais e muitas outras condições que irão constituir de modo singular cada pessoa e cada relação.  Em consequência, essas expectativas estão presentes na identidade do casal, nos tipos de conflitos que enfrentarão e na maneira como irão trabalhar esses conflitos. Essas expectativas constituídas também influenciarão o nível de satisfação pessoal de cada par na relação conjugal.

 

A conjugalidade possui, nas expectativas de cada parceiro do relacionamento amoroso, o desejo e anseio de que a trajetória a ser percorrida de fato contribua para uma boa relação, o que nem sempre acontece justamente pelo o fato dos indivíduos possuírem expectativas, valores e formas de se relacionar que dificilmente corresponderá ao anseio do outro, levando, muitas vezes, ao desconhecimento ou à indiferença para com o outro, que  em virtude de alguma dificuldade pessoal não pode, ou até mesmo não tem o desejo de corresponder a algumas expectativas do seu par. Isso desencadeia frustrações, desentendimentos e indiferenças que levam muitos casais a crises conjugais, ao divórcio ou à terapia de casais para tentar solucionar o problema criado em torno desses anseios. As expectativas não correspondidas também podem gerar estresse e colaborar para o aparecimento de doenças físicas e psicológicas.

 

Pensando em todas essas dificuldades, não é de surpreender que o número de divórcios tenha aumentado muito, mas paradoxalmente, isso não implica na diminuição do desejo por relacionamentos conjugais na sociedade. O fim de uma união não é sinônimo de uma nova etapa solitária a ser cumprida, ou da certeza de que relacionamento conjugal é algo instransponível em suas dificuldades. Ainda que o divórcio seja uma etapa de experiência dolorosa, uma espécie de luto, grande parte dos divorciados deseja viver uma nova experiência conjugal.

 

Apesar de todo amor e atitudes que venham a ser investidas em um relacionamento, a forma como a expectativa de cada amante será correspondida é algo que não se pode prever, mensurar e muito menos ter garantias. As expectativas são um fenômeno complexo e de difícil avaliação, e seu papel em um relacionamento significa muitos desafios, contratempos e sobretudo, uma incerteza permanente.  O parceiro quase nunca poderá estar pleno e verdadeiramente seguro daquilo que faz — ou de ter feito a coisa certa ou no momento preciso. Sendo uma situação na qual o parceiro precisa sempre da expressão de satisfação do outro para perceber seu sucesso e ser propagador de satisfação, amor e felicidade para o outro par da relação.

 

Não há uma fórmula que defina previamente o que seja obter sucesso em uma relação conjugal, mas dificilmente um casal conseguirá obter algum êxito no relacionamento conjugal se o par não for capaz de atender às demandas subjetivas de ambos, as quais se atualizam e se reconfiguram muitas vezes ao longo da vivência de cada um e na vivência a dois.

Outro aspecto permeado de expectativas e muito importante é a intimidade sexual de um casal.

 

No contexto atual, no qual a sexualidade como forma de prazer e satisfação está no centro dos desejos e expectativas da relação conjugal moderna, podemos imaginar como os desafios nessa ordem podem ser potenciais fontes de conflito das relações conjugais. Há casais que tem relações sexuais, mas que por tabus, religiosidade, inibições, e vários fatores, não desenvolvem uma sexualidade mais íntima em seu relacionamento, se valem do corpo do outro, mas uma valência cheia de restrições e conflitos.

 

É preciso destacar que pares que vivenciam constantes desentendimentos e mágoas nas diversas situações do dia-a-dia, podem romper o desenvolvimento da intimidade sexual no casamento e assim, prejudicam uma importante parte da esfera de comunicação afetiva e de prazer. Se a relação fica tendenciosa a um conflito que provoca sofrimento, anulação existencial ou cárcere emocional, os aspectos da intimidade ficarão prejudicados. E ainda que o casal não tenha se separado em termos de moradia, ocorre a falência da relação em termos de intimidade.

 

A qualidade da comunicação, via de regra, é um pressuposto muito importante em qualquer relação humana e na esfera conjugal não poderia ser diferente. A busca por maneiras que sejam satisfatórias no modo de se comunicar, tais como o bom senso e assertividade na busca de uma comunicação que não seja violenta e ríspida para com o outro, são configurações que ajudam na manutenção de um relacionamento e na percepção para saber corresponder e ser correspondido, criando condições de um relacionamento satisfatório, empático e amoroso. Querer estabelecer uma relação na qual a alteridade, o altruísmo e a empatia na comunicação mútua não se façam presentes é estabelecer um tipo de relação autoritária que tenta impor-se a um dos pares, e neste caso, o par dominador tenta modificar o outro pela crença de que há sempre uma forma mais correta de agir, geralmente a sua própria forma, e se impõe encarcerando o parceiro em sua crença de ser uma atitude de amor.

 

Quando os anseios e as expectativas são correspondidos pelos parceiros, e estes conseguem corresponder um ao outro em sua forma de interação e relacionamento, sem que as expectativas de seus pares ameacem as suas individualidades, ocorre então o fortalecimento da relação e o bem-estar de sentirem queridos, amados e correspondidos, levando a um contentamento na relação.

 

Casais que conseguem permanecer juntos de um modo saudável, são casais que aprenderam a negociar seus anseios e expectativas de um modo maduro e não egoísta. Sabem a importância de acharem soluções em que na maior parte do tempo todos estejam satisfeitos

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Artigo escrito pela Psicóloga Silvia Maria Rodrigues Gomes

 

 

 

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