Entenda o Sentimento da Raiva

As nossas emoções têm um papel muito importante nas nossas vidas. Elas ajudam na nossa tomada de decisão, nos motivam a fazer algo e nos preparam para a ação. Uma pessoa que sente medo de reprovar na escola pode se motivar a estudar e organizar uma rotina de estudos, por exemplo. Ou uma pessoa que se sente culpada por um erro pode se sentir motivada a repará-lo. Além disso, elas servem para comunicar e influenciar as pessoas. Quando estamos tristes, podemos sentir mais vontade de conversar com um amigo para desabafar isso pode fazer com que ele seja mais afetuoso conosco. A expressão do amor também pode fazer com que se aproximem de nós, por exemplo.

 

Mas e a raiva? Ela pode ser boa para nós?

 

A raiva é vista de forma muito negativa na nossa sociedade, principalmente por estar por trás de brigas de trânsito, conflitos de relacionamento e até mesmo de guerras. Ela é relacionada a um comportamento agressivo e ofensor. No entanto, mesmo que ela esteja relacionada aos cenários anteriores, ela também pode servir como força para a proteção de alguém indefeso ou como energia para solucionar uma situação injusta, como abusos no ambiente de trabalho.

 

A raiva é uma emoção que varia desde uma leve irritação até a ira e está relacionada a 3 elementos: pensamento, reações fisiológicas e comportamentos.

 

Se pensamos que uma situação é injusta, pode nos causar prejuízo ou vai contra as nossas regras pessoais, imediatamente sentiremos raiva. Outra peculiaridade da raiva é ela ser despertada quando vemos uma intenção pessoal e negativa no comportamento do outro, como acreditar que alguém furou a fila do banco de propósito na sua frente.

 

O curioso é que, apesar de todas as pessoas sentirem a raiva, nem todas as pessoas a sentem nas mesmas situações ou com a mesma intensidade. O que cada um vê como injusto ou como irrazoável vai depender do seu passado e das suas experiências de vida, e é daí que surgem muitos dos conflitos relacionados a essa emoção. Se Vitor acha que o parceiro sempre deve esperar o outro para comer e Luísa não, é muito provável que ele se irrite com ela caso chegue do trabalho e ela já tenha jantado.

Além disso, a raiva causa efeitos em nosso corpo como a contração muscular, aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca e inquietude. E a tendência de comportamento pode ser gritar, bater, jogar algo no chão, criticar ou pensar repetidamente sobre o assunto causador da raiva.

 

Muitas vezes os problemas decorrentes da raiva não estão relacionados ao sentimento em si, mas à forma como o expressamos! Se, ao sentir raiva de Luísa por não o ter esperado para jantar, Vitor começar a gritar com ela a criticando de maneira ofensiva, muito provavelmente eles terão problemas maiores do que esse. No entanto, se ele a chamar para conversar sobre o assunto, eles podem chegar a algum acordo que faça bem para os dois – podendo evitar possíveis conflitos a esse respeito no futuro.

 

Mas o que fazer para lidar com a raiva excessiva? Aquela que é desproporcional à situação gatilho e causadora de consequências destrutivas?

 

Descobrir as circunstâncias causadoras da raiva, assim como entender o que se pensa nessas situações é vital para um bom relacionamento com essa emoção. Entender quais são os seus “botões de alerta” da raiva é essencial, já que os conhecendo é possível que se tome uma postura observadora e não julgadora, a fim de obter mais informações sobre a sua visão do fato. Se fazer perguntas que o ajudam a questionar a situação gatilho, como as suas interpretações dela é uma forma útil de responder ao sentimento.

 

Dar um tempo e se afastar momentaneamente da situação também pode ser uma estratégia eficaz. Esse momento afastado é propício para se controlar, dar um passo para trás, e se lembrar do que gostaria de alcançar naquele contexto. Técnicas de relaxamento também podem ser interessantes para o manejo da raiva.

 

A psicoterapia é uma grande aliada nesse processo! Ela ajuda na distinção entre a raiva útil e a excessiva ou inadequada, ajudando no desenvolvimento de recursos para que se possa responder a ela de forma construtiva. O processo psicoterapêutico orienta o paciente sobre como examinar os seus pensamentos de raiva para ver se há outra forma de pensar sobre as coisas, ensinando-o a avaliar as situações e pessoas de diversos ângulos.

 

Além disso, a psicoterapia oferece ferramentas de assertividade, que é o ponto do meio entre responder passivamente e agressivamente aos conflitos do dia-a-dia. Uma pessoa assertiva leva em conta os seus desejos e interesses, mas não negligencia o outro de forma agressiva ou desrespeitosa.

 

Vale lembrar que o processo da terapia é feito de maneira personalizada, e por isso é capaz de abordar exatamente as questões de cada paciente!

 

 

 

Leituras sugeridas:

1) A Mente Vencendo o Humor - Greenberger e Padesky

2) O Treino Cognitivo de Controle da Raiva - Malagris e Lipp

 

 

 

 

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